35 anos após o golpe de estado em 25 de Abril de 1974, em que a democracia devia estar consolidada, somos de vez em quando confrontados com indicadores, que nos dizem que afinal a revolução ainda não entrou na consciência e nos hábitos de todos os portugueses.Sem ficar muito surpreendido com as gravatas do passado bolorento e salazarista, devo dizer que a mim muito me ofende, que ainda hajam pessoas que se passeiam ostensivamente de lápis azul numa mão e autoritarismo e prepotência na outra.
O que aqui vou deixar escrito, é de facto uma história que julguei banida da política e do jornalismo democráticos e livres. Logo num mês como o de Abril, em que os ventos que chegam trazem aromas a democracia e a liberdade.
O texto que se segue, foi rejeitado por um jornal da região, por motivos que adiante irão saber.
A CANDIDATURA DE SOUSA PINTO
Abril é um mês importante. Ficou na história pelo fim de um regime pelo dia 25. Em Penafiel, este mês também pode fazer história. O dia 4, pode marcar de forma indelével o início de uma caminhada rumo à mudança de regime em Penafiel.
Foi nesse dia que o partido socialista apresentou a seu candidato. Sousa Pinto apresentou a sua candidatura à Câmara Municipal de Penafiel.
Não foi necessário recorrer à música plástica que faz “Carreira” nesta terra. Não foi preciso deitar a mão a estratégias festivas e folclóricas para atrair gente e mais gente ao espaço onde decorreu a apresentação. Não houve comes e bebes. Não houve bonés, nem cachecóis.
Estiveram presentes, para além da multidão anónima, entre outros, o ministro do trabalho, Vieira da Silva, os presidentes do Hospital Padre Américo e dos Bombeiros de Penafiel, o deputado Agostinho Gonçalves e o deputado europeu Manuel dos Santos.
Sousa Pinto, não foi recebido em apoteose sob uma avalancha de aplausos delirantes, porque foi o primeiro a chegar ao local do acontecimento. Ele não faz compassos de espera. Ninguém espera por ele. Sendo ele um homem de trabalho, não trabalha para a fotografia, não faz pose. O culto da personalidade e a cultura da imagem, na cabem no projecto social e cultural que Sousa Pinto tem para Penafiel.
É isto que marca a diferença. Esta candidatura logo no seu início marca pontos, na medida que o que dela transparece, nada é virtual, nada é mentira, nada é fantasia, nada é fogo de vista. É uma candidatura realista baseada em algo que falta a muitos aspirantes à cadeira do poder local por este país fora: alma, essência e conteúdo, em detrimento do corpo, da matéria e da forma. Esta candidatura tem tudo para ter um final feliz.
Eu acredito nela. Porque (e usando aqui algumas frases do discurso do candidato) “é aberta e livre de preconceitos e tem a ambição de gerir o que é de todos para todos. Vai derrubar paredes de gabinetes, para dar a conhecer aos penafidelenses em geral, as razões de determinadas medidas. Vai estabelecer padrões de governação local exigentes, baseados na reciprocidade e no respeito pelas diversas sensibilidades de opinião”.
Eu acredito nesta candidatura porque vai romper com algumas políticas do actual executivo. Mormente aquelas que dizem respeito à gestão dos dinheiros públicos e à cultura elitista que têm sido praticadas por Alberto Santos e companhia.
No campo da gestão dos dinheiros dos contribuintes, sendo aqui que mora o maior “crime deste executivo, eu gostaria de perguntar quanto custou a “Escritaria” que homenageou Urbano Tavares Rodrigues? Quanto custou o foguetório de artificio de inauguração das iluminações do último natal? Quanto custou o par de actores alemães, que actuou no auditório da Agrival, no recente Dia Mundial do Teatro, quando em Penafiel há vários grupos que praticam essa modalidade cultural? Quanto custaram as excursões ao Pombal e a França? Quanto custou a Volta a Portugal em bicicleta que aqui parou? Quanto custaram as “motoquices” que enduraram recentemente Penafiel? Quanto custa o Prémio de Poesia Daniel Faria, que está longe de atingir os objectivos para que foi criado?
Ao esbanjar balúrdios, atrás de balúrdios, o actual executivo camarário, não tem o mínimo respeito pelos cidadãos que vivem o dia a dia com extremas dificuldades financeiras.
Não se pede caridade à Câmara. Ninguém vai pedir esmola à edilidade. Mas que há penafidelenses com muitos problemas para chegar ao fim do mês de cara levantada, eu sei que há.
É por isso que Sousa Pinto tem razão quando no seu discurso, disse que: “As opções autárquicas nestes últimos sete/oito anos, levaram a uma política de esbanjamento dos recursos, em que o mote visa apenas a promoção pessoal dos líderes responsáveis. Fruto dessas acções inconsequentes, o concelho está num estado de letargia geral”.
E é também por isso que eu acredito nesta candidatura. Ela tem verdade. Ela tem substância. É uma candidatura baseada numa política muito mais próxima dos cidadãos, muito mais próxima dos munícipes, logo muito mais perto dos interesses da cidade e do concelho em geral.
Estou convencido que esta candidatura vai agarrar os penafidelenses. Estou convencido que Sousa Pinto vai conseguir virar a página nesta história de Penafiel. E é por isso que, e interpretem como entenderem isto que vou aqui dizer: nas próximas eleições autárquicas, o candidato da coligação de direita, Alberto Santos, vai ter que pedalar, vai ter que andar, vai ter que trabalhar muito, vai ter que suar as estopinhas para… perder por poucos!
Como disse atrás este texto não foi publicado num jornal do Vale do Sousa. Eu perguntei porquê ao Sr. Director e ele respondeu da seguinte forma:
“Ex-mo Sr.
Dois factores levaram à não publicação do seu artigo:
1 – Um comentador informou-nos da sua indisponibilidade para continuar a escrever neste jornal caso continuassem a existir dois militantes socialistas a escrever sobre política.
De facto, a coligação tem apenas um colunista;
2 – O PSD/ Penafiel apresentou uma queixa na ERC, acusando-nos de admitir outro colunista, sob a forma de “artista plástico”, como meio de favorecimento do PS.
Os meus cumprimentos”
De seguida enviei um mail ao comentador a dar conta da minha estranheza da sua “ameaça” de não continuar a escrever no tal jornal da região, se continuassem a existir dois colunistas, militantes socialistas contra um da coligação. Ele respondeu-me que não tinha nada contra mim. Apenas não achava correcta a situação de desvantagem em que ele se encontrava.
O Sr. Vereador lá terá as suas razões.
Na mesma altura escrevi uma carta ao Sr. Presidente da Comissão Política do PSD de Penafiel que passo a transcrever:
EX.MO SR. PRESIDENTE
DA COMISSÃO POLÍTICA DO PSD DE PENAFIEL
DR. ALBERTO SANTOS
Eu tinha um texto intitulado “A candidatura de Sousa Pinto”para ser publicado num jornal da região, na semana passada (10/04/09) . Só que o director entendeu não publicá-lo.
Instado por mim sobre o porquê da ausência do artigo no dito semanário, respondeu-me desta maneira:
“Ex-mo Sr.
Dois factores levaram à não publicação do seu artigo:
1 – Um comentador, informou-nos da sua indisponibilidade para continuar a escrever neste jornal caso continuassem a existir dois militantes socialistas a escrever sobre política.
De facto, a coligação tem apenas um colunista;
2 – O PSD/ Penafiel apresentou uma queixa na ERC (Entidade Reguladora de Comunicação), acusando-nos de admitir outro colunista, sob a forma de “artista plástico”, como meio de favorecimento do PS.
Os meus cumprimentos”
Eu não quero acreditar que isto seja verdade, mas também não me passa pela cabeça que o director do jornal, ande a brincar aos jornais. Sim, porque o assunto é um tanto sério.
Eu dirijo-me ao Sr. Dr. Alberto Santos, na medida em que é o presidente da Comissão Política do PSD, logo o principal responsável por esta estrutura partidária. E não estou a ver o seu partido tomar uma atitude destas sem o seu conhecimento.
Sr. Dr. Alberto Santos, eu não estou magoado, nem triste com esta história. Não assumo o papel de vítima neste filme de terror. A roupagem da vitimização não me serve. É demasiado apertada. Morreria asfixiado.
Mas decepcionado com o Sr. estou muito. Passados que estão 35 anos depois do 25 de Abril, constato a existência de resquícios de um passado que pensei já não existir.
Não lembra a ninguém fazer queixa de um jornal por este ter admitido alguém, insinuando que está a favorecer este ou aquele partido. Ó Dr. Alberto Santos, acha que eu estou a favorecer premeditadamente o PS?
É verdade que o rejeitado texto era um apoio claro à candidatura de Sousa Pinto. Mas… o que é que tem de anormal eu acreditar naquela candidatura? Não é um direito que eu tenho, de estar do lado que entender, de gostar de quem eu quiser, ou de aplaudir quem me apetecer?
Com que então acha que o que eu tenho escrito no jornal é um favorecimento do PS? E se fosse a favorecer a coligação, o Sr. teria feito o mesmo?
É que eu não vi o Dr. Alberto Santos preocupado quando eu tinha o meu jornal 3 de Março, em que beneficiei, não premeditadamente, a sua candidatura e o seu partido nas eleições de 2001. O Sr. e a sua coligação tiveram muito mais destaque que o PS de Rui Silva. E veja lá se o candidato socialista fez alguma queixa contra o meu jornal por dar muito mais visibilidade à sua candidatura.
O Sr. não acha correcto que eu vá para às páginas do jornal favorecer o PS, mas se calhar aplaudiu a (última) edição miserável de um jornal da terra, em que colocou três fotos do Presidente da Câmara na primeira página, escondendo a cerimónia da apresentação da candidatura de Sousa Pinto. Este é que é o verdadeiro jornalismo? Se calhar é.
Com esta história eu fico a pensar no seguinte: quando eu fui “despachado” de um jornal de Penafiel em Maio de 2007, não estaria dedo social-democrata por detrás daquela atitude censória do seu director? Se calhar não estarei enganado.
Pois é meu caro presidente da comissão política do PSD, o caminho (da democracia) faz-se caminhando. E fico muito preocupado se o Sr. Dr. Alberto Santos e o PSD pararam a meio do percurso.
O Sr. sabe muito bem que eu não sou do partido socialista. O senhor sabe, que dos partidos políticos, eu quero é distância.
Sou daqueles que continuam a pensar que o 25 de Abril só apareceu para engordar políticos. Basta olhar à nossa volta e constatar que esta afirmação faz todo o sentido.
O Sr. sabe muito bem que as críticas que eu dirijo ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Penafiel e ao seu executivo, são de minha inteira responsabilidade e baseado no desconforto que sinto, quando vejo a minha terra seguir um caminho, que não me parece ser o melhor.
Sou um cidadão penafidelense livre. Tenho o direito de criticar, por exemplo, o horroroso piso granítico da nossa principal avenida. Assim como dizer que não me entra na cabeça o Prémio de Poesia Daniel Faria.
No caso da cultura elitista “Urbanista”que o seu executivo privilegia, eu fui porta voz dos socialistas coisíssima nenhuma. Nunca na vida Sr. Presidente do PSD. Nunca na vida eu falaria por uma partido.
Até no caso do excesso de facturas da água e saneamento nos anos 2007 e 2008, protagonizado por Mário Magalhães, eu falei por mim e por mais ninguém. No que diz respeito à surrealista toponímia penafidelense, uma matéria que me é cara, eu critiquei em nome de quem? Do PS? Não, claro que não. EU SÓ FALO POR MIM.
É evidente que há matérias em que eu estarei de acordo com o PS, como é o caso do tão propalado esbanjamento de dinheiros públicos, do clima festivo e gastronómico, que paira desde sempre nesta câmara, do exército de assessores que por lá circula, etc.,etc. É isso que a mim muito incomoda. Gasta-se tanto dinheiro em coisas em que o interesse será muito duvidoso.
Mas…continuando…
Sr. Dr. Alberto Santos, na queixa que fez à ERC, o Sr. acusou o dito jornal de admitir um colunista sob a forma de “artista plástico”, como meio de favorecer o PS.
Vai-me perdoar este tipo de linguagem: mas o senhor ao fazê-lo, gozou com a minha cara. O Sr. referiu o “artista plástico” como que se eu me tivesse servido de algo que não sou, para fazer aquilo que não devia. Santo deus, com esta é que eu não esperava.
Até aceito que possa ser excessivo eu qualificar-me de “artista plástico”, uma vez que não sou profissional da pintura. Mas que gozou com a minha cara, isso é bem claro. Basta ter em conta o seu discurso de 3 de Março no salão nobre da Câmara. O Dr. Alberto Santos, referiu que o artista plástico Fernando Beça Moreira, tinha aceitado o repto lançado há um ano para se construir uma letra para um fado de homenagem a Justino do Fundo.
Afinal, sou ou não artista plástico? Para o presidente da Câmara parece que sim, mas o presidente da comissão política do PSD, não passo de um artista plástico encapotado.
O Sr. achou que eu quis ser identificado como “artista plástico” para esconder a minha militância socialista, como também diz um dos seus vereadores?
Sr. Dr. Alberto Santos, tendo em conta o livro que escreveu no ano passado, acha que brincaria ou gozaria com a palavra escritor?
Nunca faria uma coisa dessas. Primeiro porque não teria razões para tal. Porque o Sr. é mesmo um escritor porque escreveu um belo romance. Depois nunca o faria pela lealdade e respeito que me merecem a pessoa, o escritor e o próprio presidente da Câmara.
Sr. presidente do PSD/ Penafiel, eu quis ser identificado como artista plástico, porque pintar é de facto a minha única ocupação, neste momento, tirando algumas actividades como a escrita e a pesquisa sobre tudo o que diga respeito a Penafiel de outros tempos. Virá daí algum mal ao mundo?
Agora que estou com a candidatura de Sousa Pinto, estou com certeza. Penso ser melhor para Penafiel, até para dar a esta terra um cunho de mais verdade.
Cordiais saudações
de Fernando Beça Moreira
Logo de seguida veio a resposta do presidente da Concelhia de Penafiel do PSD, Dr. Alberto Santos:
Caro penafidelense, Fernando Beça Moreira.
Acabo de receber a sua missiva pessoal e por isso atento o seu conteúdo, apresso-me a responder-lhe.
Preso muito a liberdade e a tolerância em todas as suas dimensões. Por isso, a sua carta parte de um pressuposto e tira conclusões precipitadas que, a serem verdade, ofenderam a minha própria consciência.
O PSD de Penafiel nunca debateu o assunto em causa, nunca falou com o director do jornal a que se refere e nunca apresentou qualquer queixa na ERC nem em qualquer outra entidade, nem apresentará.
Tenho pena que tenha dado o facto como certo antes de me ter perguntado sobre a sua veracidade. Conheço as suas opiniões e respeito-as. Prefiro discordar com elas frontalmente e debater os princípios de cada uma das opções que tomo. Que esconder-me atrás de queixinhas sem sentido.
Cordialmente
Alberto Santos
Entretanto, eu já tinha perguntado por mail à ERC, se tinha dado entrada naquela entidade alguma queixa formulada pelo PSD de Penafiel sobre o assunto em questão.
A resposta veio passados 4 ou 5 dias, e foi negativa. Não tinha dado entrada qualquer queixa formulada por qualquer partido de Penafiel.
Mais recentemente, no dia 20 de Abril enviei um texto ao referido jornal. para sua publicação no dia 24. Entendi que era justo eu dizer aos meus leitores (havia de facto muita gente que lia os meus artigos), as razões que levaram à minha suspensão das páginas do jornal. Em contacto telefónico o director prometeu a sua publicação. Nesse mesmo contacto, o director voltou a confirmar a queixa do PSD de Penafiel à ERC.
O que é certo é que o texto também não viu a luz do dia, alegando o director que o artigo era pejorativo em relação ao jornal, tendo em conta uma eventual censura.
Com certeza que o director não leu bem o texto. Interpretou mal as minhas palavras.
O texto é o que se segue:
ATÉ UM DIA DESTES…
Foram muitas as pessoas. Foram bastantes os leitores do dito jornal, pelo menos em Penafiel, que me perguntaram porque razão não viram nas últimas semanas o meu costumado texto, o meu habitual artigo que quinzenalmente este semanário ia publicando.
Primeiro eu disse que sabia tanto como eles: Isto é, nada. Depois lá fui dizendo que: “parece que foram fazer queixa que eu andava a favorecer o PS” e “houve também alguma pressão originada pelo eventual desequilíbrio ideológico dos artigos de opinião”.
Eu queria esclarecer os meus leitores, que de facto, eu fui “expulso” deste jornal, porque segundo o seu director, houve pressão de um colunista que é vereador da Câmara Municipal de Penafiel, porque se sentia em desvantagem em matéria de opinião. Teria havido também uma queixa à ERC (Entidade Reguladora de Comunicação) feita pelo PSD de Penafiel, dizendo que eu, sob a forma de artista plástico, estava a escrever favorecendo o Partido Socialista.
Mesmo sem ter razão, o Sr. Vereador da Câmara em posterior contacto comigo, foi esclarecedor. Achou que não havia igualdade no jornal: eram dois colunistas do PS, contra um da coligação “Penafiel Quer”, dizendo mesmo que eu era militante do PS.
Posteriormente escrevi uma carta ao Sr. presidente da Comissão Política do PSD de Penafiel, que por acaso é o Dr. Alberto Santos, a dar-lhe conta da minha decepção pela queixa que teria feito.
Alberto Santos ficou bastante ofendido, na sua consciência. Escreveu-me dizendo que era mentira. Que o PSD, jamais tinha reunido ou debatido este assunto e muito menos feito queixa, fosse a que entidade fosse. Deu-me a entender que se decepcionou comigo por eu ter dado o assunto como verdadeiro e não o ter procurado para saber da verdade dos factos, antes de lhe ter enviado a longa e contundente (mas nunca ofensiva) carta.
De facto assim não fiz. Dei como verdade tudo o que o Sr. Director do jornal me informou e limitei-me a lamentar que hoje, passados que estão 35 anos do 25 de Abril, ainda pudessem ocorrer situações como estas.
De facto eu não sei ao certo o que se passou. Só sei que por isso jamais voltarei a dizer as minhas coisas neste jornal, seja sob a capa de artista plástico ou como simples cidadão.
Não sei se eu andava a atrapalhar algumas consciências. O que me aconteceu agora, já tinha acontecido num jornal de Penafiel em 2007. Por isso estou à vontade para afirmar que em Penafiel, há um défice democrático bastante acentuado, que lamento registar.
Eu tenho os meus leitores. Há quem goste do que eu escrevo, mas é gente anónima, são penafidelenses sem poder político. Mais fortes são aqueles que se afligiram, por julgarem que eu andava a fazer a campanha eleitoral de um determinado candidato. Como se isso fosse verdade. Francamente…
Já o disse mais que uma vez: eu não sou militante do PS, como não sou de qualquer partido. Eu estava a escrever neste jornal por obra e graça do convite formulado do director do jornal em questão, que sabia muito bem qual a temática minha preferida.
Afinal, o PSD de Penafiel, estava à espera que eu fosse falar de quê? Dos passarinhos das árvores da Praça Municipal, das pombinhas do Largo da Misericórdia, dos melros do meu quintal, ou do barulho dos cães do meu vizinho? Não. Eu tenho muito respeito pelos animais, para falar deles de ânimo leve. Eu gosto de falar é da minha terra. É ela que eu amo e com quem faço amor todos os dias.
A minha forma de sentir Penafiel, é alertar, é denunciar. É dizer o que na realidade me parece não estar correcto na minha “rurbana” cidade. E há tanta coisa incorrecta nesta terra, meu deus!
Não costumo tomar “drogas”ou sedativos tipo Toy, Mikael ou Tony Carreira, que me deixariam em estado letárgico, sonolento, incapaz de vislumbrar um poema ou uma frase dos “penafidelenses” Távora e Urbano. Não ando a dormir. Não tenho vocação para isso, nem sono.
Sou militante de Penafiel, desde 14 de Agosto de 1949. Inscrevi-me em sede própria, ali na Travessa dos Fornos e pratico a política de amante e amigo com Penafiel, sempre de porta aberta. É que pode aparecer alguém que precise de alguma penafidelidade. E eu tenho muita para dar, nenhuma para vender…
E pronto, só me resta questionar, o que teria levado o director do jornal da região a “inventar” que o PSD tenha apresentado queixa à ERC, quando na realidade isso não aconteceu, pelo menos oficialmente.
Mas atenção, se de facto não houve uma queixa oficial por parte do PSD à ERC, acredito que tenha havido “alguma laranja mais esclarecida”, algum romântico, que tenha feito uma “declaração de amor” ao director do jornal, pelo simples facto de um “artista plástico” andar a atrapalhar a coligação, sugerindo que ele fosse dar uma curva. E assim aconteceu. Fui dar uma volta ao bilhar grande.
Entretanto alguém me diz aqui ao lado em estridentes gargalhadas: Ó Beça Jafoste…
Para terminar, só queria dizer que o Sr. Director do jornal ao sentir-se incomodado por eu ter dado ao lamiré neste último texto (não publicado), sobre a existência de censura no seu jornal, já se esqueceu da aplicação do lápis azul, feita a um artigo meu em 13 de Março, em que suprimiu uma frase a propósito de um padre penafidelense.
Disse ele que respeita muito os sacerdotes. O que não respeitou foi a opinião de um dos seus articulistas, essa é essa. Não é Beça? É pois…
Passados que estão 35 anos do 25 de Abril, é esta a história do 24 de Abril...
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