quinta-feira, 22 de abril de 2010

DIVERSÃO E CULTURA

Entre diversão e cultura eu escolho ambas. Mas entre a Bracalândia e o finado Cine Teatro S. Martinho, alinho (alinhava) sem margem para dúvidas com o “Cinema” como nós lhe chamava-mos, que trazia cultura e diversão a Penafiel.
A nossa sala de espectáculos foi-se embora. A Bracalândia chegou mesmo agora. Lamento a primeira. Sem ser contra, não exulto com a segunda. Lamento profundamente o desaparecimento de uma das maiores referências da nossa terra. Foi imperdoável a sua destruição. É lamentável que num local de história, surja agora algo sem glória: escritórios e lojas comerciais. Ou seja, mais do mesmo. Eis Penafiel mais uma vez no lado errado do vento. Podem vir as requalificações urbanas que vierem. Podem vir as acessibilidades que forem preciso. Podem virar Penafiel de pernas para o ar, que a nossa terra cada vez tem menos alma. Eu se fosse presidente da Câmara, de ontem ou de hoje, tinha adquirido aquele espaço para se construir um Teatro Municipal. E não teria feito nada do outro mundo. Era a “obrigação” de um político atento e com alguma dose de bairrismo. Mas comprar com que dinheiro, perguntarão os leitores?
O que há mais é dinheiro em Penafiel. Bastavam os milhões das benesses de que a Bracalândia está a beneficiar. (É preciso que se saiba que o Parque Temático não vai pagar impostos à Câmara durante dez anos). Depois, bastaria ter suspenso durante algum tempo as verbas que são canalizadas para o futebol profissional. Não esquecendo as fortunas desperdiçadas em caprichos fotogénicos, tais como os “Enduros”, que por aí motocaram, etapas de Voltas a Portugal que daqui partiram e megalómanas “escritarias”. Muito dinheiro que se atirou ao ar que em concreto, nada trouxeram a Penafiel.
Se essas verbas fossem aplicadas na aquisição e recuperação do “Cinema”, em Penafiel outro galo cantaria, já que iria afinal, ao encontro da maior obsessão dos vários poderes autárquicos, que é atrair gente para a cidade. Mas na opinião dos vários executivos, Penafiel tem de modernizar-se e isso nunca passou pela recuperação do “Cinema”.
Mas em Matosinhos, Póvoa de Varzim, Montijo, Mealhada, Coimbra, Sever do Vouga, Vila do Conde, S. João da Madeira entre outros, todos os seus Cines foram, estão ou vão ser recuperados, com intervenções camarárias. Custaram milhões, pois custaram, mas estas localidades ficaram mais ricas.
O único político que se preocupou com o Cine Teatro S. Martinho, foi Emídio Alves, de Rio de Moinhos, ex-vereador social-democrata na Câmara de Penafiel. Este encetou várias lutas em pról da sua aquisição. Entretanto, outra gente, outros políticos, outros interesses se levantaram.
Uma vez perguntei a Justino do Fundo se não tinha saudades do “Cinema”. A resposta veio lacónica: “Eu não, eu tenho saudades é do Barracão”. Nem o melhor presidente da Câmara de Penafiel, de todos os tempos, estava para ali virado. Diga-se que este “Barracão” era uma sala de espectáculo que funcionou no mesmo local mais ou menos entre 1912 e 1949. Mais tarde, um outro político, que eu considero um mau penafidelense dizia que “Não é preciso “Cinema” coisíssima nenhuma, porque cinema já temos nós” (ali para os lados do Sameiro).
Este mau penafidelense bem sabe que não é a mesma coisa. Uma coisa é um cinema, só com essa finalidade, outra é uma sala para todo o tipo de espectáculos, que é o que não temos há 25 anos. O mesmo se pode dizer em relação ao auditório que vai nascer no Museu Municipal. Este auditório nunca substituirá o antigo cinema, que nos proporcionou, milhares de horas de diversão e cultura. São coisas completamente diferentes.
Eu se fosse presidente da Câmara de Penafiel de hoje, teria alguma preocupação em localizar (deve estar no Arquivo Municipal), uma postura camarária de 1950 ou 51, documento esse que proíbe de todo, que se construa no local onde funcionou o “Cinema”, algo que não seja uma sala de espectáculos, que é o que está a acontecer. Isto é tudo uma questão cultural e na minha terra há um tremendo mau hábito. Troca-se a festa da cultura pela cultura da festa. O “Cinema” era festa da cultura. A Bracalândia é a cultura da festa.
Quanto a este dito Parque Temático, a postura dos políticos foi e é outra? Toa a gente feliz e contente. Um acontecimento que só aparece de cem em cem anos. Alguém o disse, a prever 350 mil visitantes por ano, quando em Braga, durante os dezassete anos que lá esteve, a média anual foi de 149 mil
Não estarei de acordo com Mesquita Machado, presidente da Câmara de Braga, quando disse que a Bracalândia era um somatório de S. Joões. Eu acho que o “Paraíso da Brincadeira”, será um pouco melhor que o nosso parque de diversões do S. Martinho, com vantagem para este, que não tem de se pagar 18 euros para lá entrar. Mais umas pipocas e lá vão quatro contos!
É caro ou nem por isso? Tem a palavra os milhares de desempregados e os milhões de reformados com pensões de 200 e 300 euros!
Mas pronto, só lá vai quem quiser e puder. Talvez os “bem de vida”: banqueiros, gestores, administradores, políticos com várias pensões, professores, etc., etc., e são muitos. Portanto a Bracalândia será um sucesso com certeza!


Texto publicado na última edição do jornal "Repórter do Marão"

sexta-feira, 9 de abril de 2010

CHUVA EM PENAFIEL

Às vezes meter água até pode surtir algum efeito!
Fotos tiradas há cerca de dez anos...
Campo da Feira
Aqueduto de Bustelo

Largo da Ajuda

Rotunda de Louredo

Junto à Biblioteca Municipal

Campo da Feira

Praça Municipal - vislumbra-se o Café da Sociedade

Rua Gaspar Baltar

Junto à Câmara Municipal

Largo dos Bombeiros

Campo da Feira

Rua Alfredo Pereira

Largo da Ajuda

Av. Sacadura Cabral

Zona da Vinha

Largo da Ajuda

Campo da Feira