quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O LIVRO VERDE DA MOBILIDADE

A Câmara Municipal de Penafiel apresentou recentemente e com a pompa habitual, um Plano Estratégico de Mobilidade da Cidade de Penafiel (PEMCP). Trata-se de um livro profusamente ilustrado e bem feito. Se calhar, um luxo pouco acessível ao comum dos mortais penafidelenses.
Do que eu compreendi, parece que vão haver profundas alterações e não apenas “correcções de mazelas”, como disse há tempos o nosso presidente da Câmara, Dr. Alberto Santos.
Todo o penafidelense bairrista, mesmo o de paróquia, quer é que esta terra progrida e ande para a frente, e eu tenho sérias dúvidas se os 10 milhões de euros que se vão gastar nos próximos cinco ou seis anos, sirvam para tirar Penafiel da “cepa torta”. Estou em crer que estes dois milhões de contos vão dar apenas para umas caríssimas operações de cosmética, que não irão ao encontro da promessa de uma cidade mais atractiva daqui a quatro anos, como promete a vereadora da mobilidade, eng.a Paula Teles.
É que esta requalificação já começou há alguns anos com a pandemia do granito que se abateu sobre os passeios da principal avenida da cidade, acinzentando-os mortalmente.
E que melhoramentos poderão advir deste PEMCP se como diz a minha opinião, já começaram mal? Os passeios estão largos, estão espaçosos, mas com aquele piso, estão feios. E depois, largura não é formosura. Estes passeios são autênticas ciclovias. As bicicletas têm de facto muita mobilidade num espaço que era suposto ser só para peões. Fico sem fala quando me dizem que a zona que vai do Café Bar até à Nova Doce está mais bonita. Cada um tem o seu conceito de beleza. Mas há muita gente, cujo conceito de beleza está ligado à cor partidária e por aí eu não vou.
Não sei o que vão fazer na Praça Municipal, mas parece que vão suprimir três ou quatro árvores a um dos nossos maiores ex-libris e retomar a cor mortiça do granito no resto dos passeios. Lamento que assim seja.
Na Praceta da Alegria é de facto necessária uma intervenção no que diz respeito ao estacionamento. Aquilo é uma bagunça de todo o tamanho. Mas é mirabolante a instalação (tanto quanto me parece) de uma passagem aérea e elevador, do antigo Posto de Turismo até à zona dos correios e finanças. As pessoas podem e devem andar a pé. Quem não quiser descer as escadas, vai à volta de um lado e ou do outro. Também não estou a ver uma rotunda junto às escolas Conde de Ferreira. O espaço é escasso, só se ela for do tamanho de uma moeda de um euro.
Saúdo a requalificação na zona de Puços. Qualquer intervenção naquele local será sempre positiva. Mas depois como vai ser feita a ligação da cidade para lá?
A zona das Lages vai dar uma grande volta, com tudo aquilo que para lá se prevê. Até uma praça de homenagem a António Nobre. Sim senhores. António Nobre, que não deixa de andar no colo de quem manda nesta terra. Foi assim no tempo do PS, é assim no tempo desta coligação de direita. António Nobre, claro, quem mais podia ser? Só se fosse o Daniel Faria.
Porque é que não transformam aquele local das Lages, num parque de estacionamento e campo da feira, “limpando” a cidade deste desusado e feio comércio de barracas?
Quanto à mobilidade em forma de automóvel, não entendo o desvio do trânsito, que vem do antigo hospital para a Rua Faião Soares e Rua do Bom Retiro, se bem que esteja de acordo que quanto menos trânsito na cidade, melhor. É que o fluxo de automóveis pode ser demasiado intenso, para umas ruas tão estreitas. Já agora quero dizer que o sentido do trânsito na rampa das freiras, está na minha opinião ao contrário. Deviam deixar sair e não entrar automóveis na cidade. E depois descer é mais fácil que subir, produzindo menos CO2.
Na rua da Saudade, o que lá fizerem, ficará condicionado pela insólita construção de um prédio quase no meio da estrada, que veio estragar tudo.
Como se pode compreender que queiram virar a cidade do avesso, quando ela já tem já o seu direito próprio há 240 anos? Não queiram transformar uma “velha” cidade , numa “coisa” nova.
Tenho para mim que para alindar a cidade, não era preciso tanto estardalhaço. Eu não precisaria de muitas palavras, nem tantas páginas para dizer como ficava linda e atractiva a nossa cidade. Não precisaria de tanta cerimónia, tanto holofote, tanto flash. Só me bastava um conjunto de sensibilidades em tamanho natural. E Penafiel seria com certeza, como dizia a brincar Justino do Fundo, a melhor terra do mundo.
Quando há seis ou sete anos, se iniciaram as obras de requalificação urbanística nesta cidade, Penafiel perdeu uma grande oportunidade de ser mais feliz. Penafiel perdeu muito, Penafiel morreu um pouco.
Eu sinceramente não acredito neste “livro verde da mobilidade”. Penafiel não vai ficar mais linda, nem mais atractiva. Vai ficar ao gosto de engenheiros, arquitectos e políticos, cujas cultura e sensibilidade andam perto de gostos partidários e longe do bom gosto e do bom senso, basta olhar para alguns exemplos que por aqui já deram à costa.
Só me resta lamentar e morrer de inveja quando olho para outras pequenas cidades deste país.


Este texto foi publicado na última edição do jornal "Repórter do Marão".

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