segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

DIREITITES DE ANTONINO DE SOUSA

Já me começa a faltar a paciência para ler as “direitites” do Sr. vereador, Dr. Antonino de Sousa. Deve ser doença. Como é que uma pessoa tão jovem consegue ser tão “velha” ideologicamente. Agora deu-lhe para contabilizar os mortos às mãos do comunismo, chegando mesmo ao ponto de consultar “O Livro Negro do Comunismo”.
Dr. Antonino, “O Livro Negro do Comunismo”, é tão fiável como os outros livros negros que se conhecem: do cristianismo, do capitalismo, dos descobrimentos e por aí fora. Eu não acredito neles. Não acredito, porque foram escritos por pessoas contrárias a essas ideologias ou doutrinas. É tudo gente suspeita.
Mas o último artigo que publicou no “Repórter do Marão” teve a virtude de me abrir os olhos. Fiquei a saber que Hitler, Mussolini, Primo de Rivera, Franco, Salazar, Caetano, Pinochet, entre outros, eram ateus. Boa!
Mas eu não vim aqui para falar de ateus, mas sim da democracia da Aliança Democrática (AD), que outros tempos andou por aí e de que afinal o senhor tanto gostou, tendo em conta o que disse na última edição do “Pasquim de Paredes”.
Vamos então falar um pouco da AD, que era composta pelo PPD, pelo CDS e pelo PPM. que ganhou muitas eleições, com homens de “grande valor” à frente, como foi o caso de Amaro da Costa e Sá Carneiro, os nomeados por Antonino de Sousa.
Amaro da Costa, não conheço obra a que ele esteja ligado, ponto final. Quanto a Sá Carneiro é um falso mito. Sá Carneiro foi um político ligado ao antigo regime. Foi deputado na Assembleia Nacional eleito pelo partido único Acção Nacional Popular de inspiração salazarista. Depois convenientemente aderiu ao 25 de Abril, revolução para a qual, ele em nada contribuiu. Nada. Não venham dizer que ele era da ala liberal, que não cabe aqui. Ele foi tão liberal como Marcelo Caetano, que continuou com a podridão do regime.
Depois, Sá Carneiro foi primeiro-ministro de Portugal apenas 11 meses, o suficiente para não se saber o que fez ou queria fazer. No entanto sabemos que andou a destruir uma já frágil reforma agrária no Alentejo, juntamente com a Rádio Renascença e seus apaniguados católicos.
Na noite em que “os comunas mataram Sá Carneiro”, este primeiro-ministro preparava-se para apresentar no Porto, o candidato à presidência da república Soares Carneiro, mais conhecido como o general de S. Nicolau, que fazia “coisas de encantar” com os “pretos” de Angola. Claro que perdeu as eleições. Como tal, esta pergunta impõe-se: Se Sá Carneiro era um grande político, tinha uma visão de grande estadista, onde foi ele desencantar um candidato daqueles para destronar Ramalho Eanes? Definitivamente, Sá Carneiro não foi aquilo, que ainda muitos dizem que foi. Hoje não passa de um falso mito.
No entanto, depois da sua morte, este país entrou em delírio. Foi uma esteria colectiva, quando começaram a atribuir o seu nome em tudo quanto era sítio. Foram praças, avenidas, ruas, ruelas, calçadas, vielas, cantos e esquinas, rotundas e até um aeroporto que, quer queiram ou não, será sempre conhecido como Pedras Rubras. O mesmo sucede com a Praça Velasques, ali perto das Antas. Prefiro o nome deste pintor espanhol, que o nome de um vira casacas. Aquela onda, fanática, foi a maior pouca vergonha a que eu pude assistir. A AD era assim.
Sá Carneiro, foi o fundador do PPD e da Aliança Democrática, mas tão democrática, que num dos seus governos, teve um ministro dos Assuntos Sociais, creio que se chamava Luís Barbosa, do CDS, que impôs o pagamento de uma taxa moderadora por cada receita passada pelos médicos aos doentes. Esta história é fantástica. Eu explico:
A um doente, que precisasse de remédios para curar as suas mazelas, era-lhe passada uma receita por cada medicamento (digo outra vez: uma receita por cada medicamento) tinha que pagar uma taxa. Por exemplo, se eu fosse ao médico e se ele visse que eu necessitava de quatro ou cinco medicamentos, logo me passava quatro ou cinco receitas. Depois na farmácia tínhamos de abrir os cordões à bolsa e pagar quatro ou cinco taxas. Mas atenção, estas taxas não eram aplicadas aos funcionários públicos. Eram só para os “outros”. Muito democrática esta aliança. Muito democrática…

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