Não acredito que se não estivéssemos em ano de eleições, alguma vez o Bairro do Bispo seria contemplado com uma monumental cerimónia como a que decorreu hoje mesmo, 19 de Maio. Não me acredito.Temendo a pouca assistência a tal acto, dado que a hora era um tanto imprópria para consumo, a Câmara Municipal convocou as escolas e a criançada invadiu a Pedro Guedes para (não) ouvir cantar (e bem) o hino nacional.
Devo dizer que por esta terra anda um grande mau gosto. Muito mau gosto. Não sei o que se passa, mas Penafiel de há uns tempos a esta parte não anda bem. Cada cavadela cada minhoca.
Mas vamos falar do monumental monumento que serve para evocar o terror espalhado pelos franceses há 200 anos. Vamos começar pelo local escolhido.
Este não é o melhor. Havia naquela avenida locais mais apropriados. Melhor visão, melhor envolvência, outro impacto.
O monumento em si, é algo desequilibrado. Bom na parte inferior, menos bom na parte de cima. Tem pedra a mais. Torna-se inestético. Aqui funciona (não funcionando) o tamanho. A frase que se vê na parte superior perde-se na imensidão do monumento. A escultura é boa. Mas o aspecto geral da coisa, perde por aquilo que disse.
Poder-se-á dizer que aquilo é alto porque atrás vem escrito o nome das vítimas do “maneta” e companhia e era preciso espaço. Não vamos por aí. Haveria sempre outra forma de este monumento conter as identidades dos nossos antepassados resistentes, em menor espaço (veja-se o espaço que ocupa os nomes dos mortos da guerra colonial, que está junto ao monumento dos mortos da 1ª grande guerra).
A ideia da senhora heroína não está má de todo. Aceito. Mas lembrei-me assim de repente da Padeira de Aljubarrota e do soldado desconhecido.
Naquele local, este monumental monumento, apesar da sua envergadura vai passar despercebido a muito boa gente. É pena que por estes lados o bom senso e o bom gosto andem um tanto arredios.
Só mais uma nota: não sei porque razão foi preciso fazer horas extraordinárias para conseguir apresentar o pedestal a tempo e horas. Às duas da manhã do dia da inauguração ainda se fazia barulho naquela zona. Assim não vale.
Mas que foi um acto eleitoralista lá isso foi e o resistente General Silveira não merecia isso. Esteve tudo ao nível de um rei D. João VI, que há quem diga que ele se retirou para não assinar a rendição. Quando para mim o grande comedor de pernas de frango, disse “pernas para que te quero”. Pirou-se…
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